Pedidos de recuperação judicial de empresas atinge recorde histórico e expõe o agravamento da crise econômica

Os pedidos de recuperação judicial no Brasil atingiram um novo patamar alarmante em julho de 2024, evidenciando os desafios enfrentados pelas empresas em meio a um cenário econômico adverso. Segundo dados do Indicador de Falências e Recuperação Judicial da Serasa Experian, foram registrados 228 pedidos no mês, o maior número para um mês de julho desde o início da série histórica em 2005.

Aumento expressivo em relação a 2023

O número recorde de julho representa um aumento de 28,8% nas solicitações em comparação com junho e um crescimento surpreendente de 129,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse aumento expressivo reflete a deterioração da saúde financeira das empresas brasileiras, que enfrentam uma conjuntura econômica desfavorável, marcada por altos índices de inadimplência e incertezas macroeconômicas.

No acumulado do ano, os pedidos de recuperação judicial já superam os registrados em todo o ano de 2023. No primeiro semestre de 2024, foram 1.104 solicitações, um aumento de 71% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse ritmo acelerado sugere que 2024 pode se tornar o ano com o maior número de pedidos de recuperação judicial da história, ultrapassando o recorde de 1.863 registrado em 2016.

Micro e pequenas empresas lideram os pedidos

As micro e pequenas empresas foram as mais afetadas pela crise, sendo responsáveis por 166 dos 228 pedidos de recuperação judicial em julho, o equivalente a 72,8% do total. Esse padrão demonstra que os pequenos negócios estão enfrentando maiores dificuldades em termos de solvência, com um impacto significativo em suas operações.

As médias empresas registraram 43 pedidos, enquanto as grandes empresas somaram 19. Entre os casos mais notórios de grandes companhias que entraram com pedido de recuperação judicial no primeiro semestre estão a Odebrecht Engenharia e Construção, com dívidas de R$ 4,7 bilhões, a Coteminas, com R$ 2 bilhões, e a rede de supermercados Dia, com R$ 1,1 bilhão.

Perspectivas preocupantes

O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, alerta que os pedidos de recuperação judicial podem continuar a aumentar caso a inadimplência elevada persista. Em junho, 6,9 milhões de CNPJs registraram débitos, o que sugere um cenário desafiador para a solvência das empresas nos próximos meses.

Além disso, as recentes mudanças legislativas, como a Nova Lei de Falências, que trazem alguns benefícios aos recuperandos, podem estimular ainda mais empresas em dificuldades a buscarem a recuperação judicial. No entanto, o processo é complexo e demorado, exigindo negociações delicadas com credores e órgãos públicos.

O aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial e falências reflete uma crise financeira que afeta empresas de todos os portes, mas principalmente os pequenos negócios. A recuperação econômica tende a ser lenta, exigindo que as empresas adaptem suas estratégias para enfrentar as adversidades. Nesse contexto, a reestruturação financeira por meio da recuperação judicial surge como um mecanismo crucial para a sobrevivência de muitas companhias brasileiras.