Banco Central pressionado: Política expansionista do Governo impulsiona inflação e exige alta de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se encontra em uma encruzilhada. Após sinalizar fortemente sua preocupação com a inflação, a instituição agora se vê pressionada a agir. O economista José Júlio Senna, do FGV/Ibre, não poupa palavras: “O BC falou muito grosso; a meu ver, ajoelhou, tem de rezar. Ele defende um aumento de 0,50 ponto percentual na Selic já na próxima reunião, embora reconheça que o mais provável é um aumento de 0,25 ponto, seguindo a “narrativa de gradualismo”.

Crescimento insustentável

A economista Silvia Matos, também do FGV/Ibre, pinta um quadro preocupante. O consumo das famílias está crescendo a um ritmo anualizado de 8%, o que ela classifica como “completamente insustentável. Este crescimento acelerado está sendo impulsionado principalmente pela demanda e pelos gastos públicos, um movimento que Matos descreve como “inflacionário”.

Déjà vu econômico

O cenário atual evoca memórias dos primeiros mandatos do presidente Lula, segundo o economista Armando Castelar. No entanto, ele aponta diferenças cruciais: “o dólar não está cedendo como antes e o cenário das commodities é menos favorável. Estes fatores tornam o controle da inflação um desafio ainda maior.”

O preço do crescimento

A expansão econômica atual pode parecer positiva à primeira vista, mas vem com um custo. Matos argumenta que seria preferível “uma desaceleração maior da economia, um crescimento mais moderado e consistente com seu potencial, não tendo que subir juros e com uma inflação mais moderada. O crescimento acima do potencial, embora possa trazer benefícios de curto prazo, corre o risco de desencadear um ciclo vicioso de inflação e juros altos.

Brasil na contramão global

Enquanto as maiores economias do mundo começam a cortar suas taxas de juros, o Brasil se prepara para aumentá-las. Esta divergência reflete as diferentes trajetórias inflacionárias: enquanto os Estados Unidos e a zona do euro passam por um processo de desinflação, o Brasil enfrenta riscos de pressões inflacionárias crescentes.

O atual cenário econômico brasileiro levanta uma questão fundamental: estamos repetindo erros do passado ao priorizar um crescimento de curto prazo em detrimento da estabilidade econômica de longo prazo? Como o país pode encontrar um equilíbrio entre crescimento sustentável e controle inflacionário sem recorrer a medidas drásticas que possam frear o desenvolvimento econômico?