Um em cada cinco jovens de 18 a 24 anos não frequentam a escola e não concluíram o ensino médio, aponta censo da educação superior

Em um cenário alarmante para o futuro do Brasil, o Censo da Educação Superior 2023, divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revela uma dura realidade: 20,4% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos não frequentam a escola e não concluíram o Ensino Médio. Esse dado preocupante levanta questões sobre o futuro da força de trabalho e o desenvolvimento socioeconômico do país.

O perfil da evasão escolar

A pesquisa mostra que a evasão escolar não é um fenômeno aleatório, mas sim um reflexo das desigualdades sociais enraizadas no Brasil. Entre os jovens que abandonaram os estudos:

  • 78% são de famílias com renda per capita de até um salário mínimo
  • 70% são negros
  • 43% não terminaram sequer o Ensino Fundamental

Esses números evidenciam uma clara correlação entre pobreza, raça e abandono escolar, expondo as falhas do sistema educacional em promover equidade e inclusão.

As razões por trás do abandono

O estudo aponta que a necessidade de trabalhar é o principal motivo para o abandono escolar, citada por 41,7% dos jovens. Esse dado revela a cruel escolha que muitos jovens brasileiros são forçados a fazer: estudar ou sobreviver. Outros motivos incluem:

  • Falta de interesse nos estudos (23,5%)
  • Gravidez (23,1% entre as mulheres)
  • Realização de afazeres domésticos (9,5% entre as mulheres)

O impacto na educação superior

A evasão no Ensino Médio tem um efeito cascata na educação superior. Apenas 27% dos concluintes do Ensino Médio em 2022 ingressaram no Ensino Superior em 20236. Esse número sobe para 58% entre os alunos de escolas federais, evidenciando a disparidade na qualidade do ensino entre as redes públicas.

Iniciativas governamentais e seus desafios

O governo federal lançou o programa Pé-de-Meia, visando promover a permanência e conclusão escolar no Ensino Médio público. No entanto, críticos argumentam que medidas isoladas podem ser insuficientes para resolver um problema tão complexo e enraizado.

Um olhar crítico para o futuro

É preciso questionar: estamos criando uma geração perdida? Com quase 10 milhões de jovens fora da escola e sem qualificação básica, o Brasil corre o risco de comprometer seu futuro econômico e social. Como podemos esperar competir globalmente quando um quinto de nossa juventude está à margem do conhecimento e das oportunidades?

A situação exige uma reflexão profunda e ações coordenadas entre governo, sociedade civil e setor privado. Não basta apenas criar programas de incentivo; é necessário repensar todo o sistema educacional, tornando-o mais atrativo, relevante e conectado com as realidades e aspirações dos jovens brasileiros.

O desafio é imenso, mas o custo da inação é ainda maior. O futuro do Brasil depende da capacidade de reverter essa tendência e garantir que cada jovem tenha a oportunidade de desenvolver seu potencial plenamente.