Suspensão do programa Carro-Pipa para 70 municípios: governo Lula abandona 275 mil paraibanos à sede em plena onda de calor

Em mais um capítulo da histórica negligência com o semiárido nordestino, o Governo Federal suspendeu a Operação Carro-Pipa na Paraíba, deixando cerca de 275 mil pessoas sem acesso à água potável. O anúncio, feito pelo Escritório Regional do Primeiro Grupamento de Engenharia do Exército, representa um golpe devastador para 70 municípios que dependem exclusivamente desse serviço vital para sobrevivência.

A população do sertão paraibano enfrenta agora uma dupla ameaça: além das temperaturas recordes que assolam a região, terão que lidar com a suspensão do abastecimento de água a partir desta segunda-feira, 25 de novembro. O cenário é ainda mais alarmante considerando que a região atravessa um dos períodos mais críticos de seca dos últimos anos.

O motivo da interrupção escancara a ineficiência administrativa do governo: a falta de repasse de recursos federais. Enquanto a população do sertão enfrenta uma das piores ondas de calor da história, a máquina burocrática em Brasília move-se com uma lentidão que beira o descaso, deixando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade extrema.

Desmonte gradual deixa população paraibana em pânico

O golpe vem em duas etapas: primeiro, cortam o serviço dos pipeiros pessoa física, afetando 140 mil pessoas. Depois, no dia 2 de dezembro, é a vez das empresas pararem, completando o desmonte total do sistema. É a receita perfeita para uma crise humanitária anunciada.

A Operação Carro-Pipa, que há mais de 20 anos garantia o mínimo de dignidade a 1,5 milhão de brasileiros em 372 municípios do Nordeste e Norte de Minas, agora se vê ameaçada pela incompetência administrativa.

Socorro tardio e incerteza

As prefeituras paraibanas correm contra o tempo, implorando à bancada federal por uma solução. O presidente da Famup, George Coelho, tenta desesperadamente articular com parlamentares para evitar o inevitável.

O Ministério do Desenvolvimento Regional promete a liberação de um crédito suplementar, mas é como jogar água em cesto: só na próxima semana o Tesouro Nacional deve liberar os recursos. Enquanto isso, o povo segue esperando, com seus galões vazios e a garganta seca.

Não é a primeira vez

O mais revoltante é que isso já aconteceu antes. Em novembro de 2022, foram 273 mil paraibanos deixados na mão pelo mesmo motivo. A água pode até faltar, mas o descaso é abundante.

Esta não é apenas mais uma crise hídrica. É o retrato cruel de um Brasil que ainda trata o acesso à água como privilégio, não como direito. Enquanto políticos debatem em salas refrigeradas em Brasília, o povo do sertão conta as gotas nos seus galões, rezando para que a próxima chuva não demore tanto quanto a próxima liberação de verbas.