Em uma exibição brutal de poder do crime organizado, o empresário Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, foi executado a tiros no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos na tarde de sexta-feira, 8 de novembro de 2024. O ataque, que resultou em quatro feridos, ocorreu apenas uma semana após o início de uma operação especial de segurança da Força Aérea Brasileira (FAB) no local, com a presença de 600 militares.
A Execução
Por volta das 16h, homens mascarados e fortemente armados com fuzis emboscaram Gritzbach próximo ao ponto de táxi do Terminal 2, logo após ele desembarcar de uma viagem de Goiás acompanhado de sua namorada. Os atiradores chegaram em um Volkswagen Gol preto, posteriormente encontrado abandonado a cerca de 6 km do aeroporto, contendo coletes balísticos e munições de fuzil.
Da Imobiliária ao PCC: A Ascensão no Crime Organizado
A trajetória de Gritzbach no mundo do crime teve início em 2018, quando ele era um corretor de imóveis de destaque da Porte Engenharia, no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Na época, ele conheceu Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como “Cara Preta”, uma figura influente no Primeiro Comando da Capital (PCC). O que começou como uma relação comercial evoluiu para uma trama complexa de traições e vingança.
Gritzbach rapidamente ascendeu no PCC, tornando-se um operador financeiro da organização. Ele administrava uma extensa rede de lavagem de dinheiro, envolvendo criptomoedas, compra de imóveis de luxo na Riviera de São Lourenço, postos de gasolina e até transações no mercado futebolístico, chegando a faturar R$ 1 milhão em comissões mensais.
O Desvio Milionário e a Traição
A relação com o PCC começou a deteriorar quando “Cara Preta” descobriu um grande desfalque financeiro, acusando Gritzbach de desviar aproximadamente R$ 2 bilhões em operações com criptomoedas. O conflito intensificou-se quando Gritzbach, supostamente, ordenou a morte de “Cara Preta” e de seu motorista, “Sem Sangue”, em dezembro de 2021.
Essa traição levou Gritzbach a ser julgado em um “tribunal do crime” do PCC, onde passou por torturas e foi ameaçado de esquartejamento. Para sobreviver, ele entregou à facção uma carteira digital com R$ 100 milhões, uma Ferrari e acesso a outras fontes de dinheiro.
O Esquema de Lavagem e as Conexões com o Futebol
Gritzbach operava um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que incluía transações em criptomoedas, compra e venda de imóveis de luxo, administração de postos de gasolina e investimentos no mercado imobiliário.
Em sua delação premiada com o Ministério Público de São Paulo, firmada em março de 2024, ele revelou a estrutura hierárquica do PCC e detalhou as ligações da facção com empresários do futebol, acusando alguns dirigentes de lavarem dinheiro para a organização.
Acordo de Delação e Tentativa de Fuga
Acuado e com um prêmio de R$ 3 milhões pela sua captura, Gritzbach colaborou com o Ministério Público, comprometendo-se a expor esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção policial, além de fornecer documentos sobre empreendimentos imobiliários no Tatuapé. Durante sua colaboração, o MP ofereceu proteção policial a Gritzbach diversas vezes, mas ele recusou.
Em dezembro de 2023, ele sobreviveu a um atentado em seu apartamento na zona leste de São Paulo. No entanto, após expor as operações ilícitas, Gritzbach planejava deixar o país.
A Falha na Segurança e o Desfecho Fatal
A execução de Gritzbach no Aeroporto de Guarulhos expôs falhas na segurança, mesmo com a recente operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que destinou 600 militares para proteger o aeroporto.
Esse trágico desfecho revela como o crime organizado pune impiedosamente aqueles que traem a facção, destacando a força e influência do PCC no cenário nacional. existe perdão para delatores.