Presidente do Banco do Brasil Tarciana Medeiros, que ganha mais de R$ 200 mil por mês, tentou aumentar seus vencimentos

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Paula Gomes Medeiros, protagonizou uma tentativa frustrada de aumentar sua já expressiva remuneração mensal. A executiva, que atualmente recebe mais de R$ 203 mil por mês, pleiteou um aumento de 56,7% em seu salário base, proposta que foi rejeitada pela Assembleia Geral de Acionistas.

Remuneração Milionária em Debate

A composição atual dos vencimentos de Medeiros já impressiona: além do salário base de R$ 74.972, ela acumula jetons por participação em conselhos que somam R$ 125 mil mensais. São R$ 50 mil do Votorantim, R$ 35 mil da Brasilprev e R$ 40 mil da Elopar. O pacote de benefícios inclui ainda participação nos lucros, com direito a 13ª remunerações variáveis anuais, além dos tradicionais 13º salários. Com isso, sua remuneração anual ultrapassa R$ 2,4 milhões, sem contar bônus por cumprimento de metas.

A Tentativa de Aumento

A proposta apresentada pela presidente previa uma elevação significativa no salário base, que saltaria para R$ 117.470, representando um aumento de 56,7%. Com os valores dos conselhos mantidos, sua remuneração mensal total chegaria a R$ 242.470.O pedido foi inicialmente aprovado pelo Conselho de Administração do banco, mas encontrou resistência na Secretaria de Coordenação e Governança das Estatais. A decisão final coube à Assembleia de Acionistas, que rejeitou a proposta em abril de 2024.

Trajetória Controversa

Medeiros assumiu a presidência do BB em janeiro de 2023, após indicação do presidente Lula, tornando-se a primeira mulher a comandar a instituição em seus 214 anos de história. Sua nomeação gerou polêmica por ter pulado níveis hierárquicos tradicionais.Antes de chegar ao posto máximo do banco, ela atuava como gerente executiva, sem passar pelos cargos de diretoria ou vice-presidência. Sua trajetória inclui 22 anos de carreira no BB, tendo ingressado por concurso público em 2000.

Comparativo com o Mercado

Os vencimentos da presidente do BB, mesmo sendo expressivos para os padrões do funcionalismo público, ainda ficam muito aquém dos valores praticados nos bancos privados. O CEO do Itaú, por exemplo, recebeu R$ 59,1 milhões em 2022.No mesmo período, o presidente do Bradesco recebeu R$ 31,4 milhões, enquanto o comando do Santander foi remunerado com R$ 21,1 milhões.

Esta disparidade foi um dos argumentos utilizados para justificar o pedido de aumento, que acabou sendo substituído por um reajuste de 4,62%, alinhado com a política para estatais.

O Dilema entre Remuneração e Função Social

A tentativa de aumento salarial da presidente do Banco do Brasil expõe uma discussão mais profunda sobre o papel das instituições financeiras públicas no Brasil. Enquanto bancos privados operam sob a lógica exclusiva do mercado, as instituições públicas carregam uma responsabilidade social e compromisso com o erário que vai além da busca por lucros.

Em um país onde milhões de brasileiros vivem com um salário mínimo de R$ 1.412, a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, considerou insuficiente sua remuneração mensal de R$ 203 mil. Seu pedido de aumento para R$ 242 mil mensais expõe o abismo entre a realidade dos executivos de estatais e a população que, com seus impostos, sustenta essas instituições.

O caso revela uma contradição perturbadora: enquanto o BB oferece empréstimos a juros reduzidos para pequenos agricultores que faturam menos de R$ 500 mil por ano, sua presidente tentou aumentar sua remuneração anual para cerca de R$ 4 milhões. Como justificar salários equiparados aos bancos privados quando a própria natureza da instituição é servir ao interesse público?

A questão não é sobre números. É sobre prioridades e valores em uma instituição que deveria ter como norte o desenvolvimento social. Enquanto o banco comemora lucro recorde de R$ 35,6 bilhões em 2023, sua alta administração parece mais interessada em equiparar seus privilégios aos do setor privado do que em fortalecer sua missão pública.

A rejeição do aumento pelos acionistas sinaliza que, ao menos desta vez, o interesse público prevaleceu sobre as ambições pessoais.