Policiais rodoviários federais reincidentes, ainda na ativa, transportavam grandes cargas de cocaína para o Comando Vermelho por R$ 2 mil o quilo

A Operação Puritas, deflagrada em 7 de novembro de 2024, mobilizou mais de 120 policiais federais em uma ação coordenada que resultou no cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão preventiva em sete estados brasileiros. A operação teve como foco principal o desmantelamento de uma organização criminosa especializada no tráfico interestadual de drogas que contava com a participação ativa de agentes de segurança pública.

As investigações revelaram que agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) estavam diretamente envolvidos no transporte de drogas, cobrando até R$ 2 mil por quilo para garantir o deslocamento seguro de cocaína destinada à facção criminosa Comando Vermelho (CV). O esquema demonstrava um alto grau de organização, com a participação de membros das forças de segurança em atividades criminosas que abrangiam diversas regiões do país.

Detalhes da Operação

Os policiais rodoviários federais Diego Dias Duarte (“Robocop”) e Raphael Angelo Alves da Nóbrega estabeleceram uma sofisticada rede de transporte de drogas, cobrando valores que chegavam a R$ 2 mil por quilo de cocaína transportada para o Comando Vermelho. A investigação identificou três grandes carregamentos vinculados ao grupo: 500 kg de cocaína em Vilhena (RO), outros 500 kg em Canarana (MT) e 200 kg em Peritoró (MA).

Durante as buscas na residência do PRF Diego Duarte, em Feira de Santana (BA), os agentes federais localizaram um cofre contendo R$ 580 mil em espécie e US$ 8.157. Além do dinheiro, a operação resultou em sete prisões em flagrante por porte ilegal de armas de grosso calibre e no sequestro de diversos veículos utilizados nas atividades criminosas.

A operação se estendeu por 12 cidades em sete estados:

  • Rondônia: Porto Velho, Vilhena e Ji-Paraná
  • Bahia: Feira de Santana, Santaluz e Gandu
  • Ceará: Fortaleza e Cascavel
  • Pará: Ourilândia do Norte
  • Rio Grande do Norte: Natal
  • São Paulo: Piracicaba
  • Distrito Federal: Santa Maria

A Corregedoria Geral da Polícia Rodoviária Federal teve participação ativa nas investigações, contribuindo de forma decisiva para o êxito da operação.

Policiais Rodoviários Federais já tinham longa ficha criminal

A investigação revelou que não era a primeira vez que os policiais envolvidos se deparavam com a justiça por crimes relacionados ao tráfico de drogas. O caso mais notório ocorreu em julho de 2023, quando o PRF Raphael Angelo Alves da Nóbrega foi preso em flagrante em Canarana, Mato Grosso, a 823 quilômetros de Cuiabá, transportando 542 quilos de cocaína. Na ocasião, após capotar a caminhonete carregada com as drogas, Raphael tentou fugir em um táxi, mas acabou sendo capturado.

O policial militar Francisco de Assis Araújo Melo, lotado no Batalhão de Euclides da Cunha, também possui histórico criminal. Em 2022, ele foi detido em Icó, no Ceará, com R$ 700 mil em dinheiro vivo, além de munições e armas. O caso resultou em um Processo Administrativo Disciplinar na corporação baiana. As investigações também revelaram um padrão sofisticado de operação, onde os agentes:

  • Alugavam diferentes veículos para cada transporte para evitar rastreamento
  • Utilizavam informações privilegiadas sobre operações policiais
  • Direcionavam apreensões contra grupos rivais
  • Repassavam parte das drogas apreendidas para o líder do grupo, José Heliomar1

Este histórico de atividades criminosas anteriores demonstra que o esquema operava há anos, crescendo rapidamente devido à proteção oferecida pelos agentes públicos envolvidos.