PF desarticula esquema de corrupção na Polícia Civil que protegia o PCC; Delegado e policiais receberam R$ 11 milhões para favorecer facção em SP

São Paulo, SP – 17 de dezembro de 2024 – A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a Operação Tacitus, que resultou na prisão de sete pessoas envolvidas em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e proteção ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação mobilizou 130 policiais federais e apreendeu R$ 620 mil em espécie, dólares, euros, joias, pedras preciosas, uma lancha, motos aquáticas e veículos.

Policiais presos e seus crimes

O delegado Fábio Baena Martin, da 3ª Delegacia de Repressão a Homicídios Múltiplos do DHPP, é acusado de receber R$ 1 milhão em propina no restaurante Sonora, no Jardim Anália Franco, além de outros R$ 10 milhões de Rafael Maeda (“Japa”) e Danilo Lima de Oliveira (“Tripa”) para não investigar o PCC.

O investigador Eduardo Lopes Monteiro, que recebia salário de R$ 11,9 mil e é sobrinho da corregedora-geral da Polícia Civil, Rosemeire Monteiro de Francisco Ibanez, estabeleceu duas sociedades suspeitas para construção de imóveis de alto padrão e venda de carros esportivos importados. Os policiais Marcelo Roberto Ruggieri e Marcelo Marques de Souza (“Bombom”) são acusados de manipular investigações e facilitar esquemas de lavagem de dinheiro para a facção.

foragido e conexões

Rogério de Almeida Felício, conhecido como “Rogerinho Punisher”, está foragido. Ele trabalha como segurança do cantor Gusttavo Lima, recebe R$ 7 mil como policial civil e é proprietário da construtora Magnata Construção e Incorporação, além de ser sócio de uma clínica de estética e empresa de segurança privada.

Outros envolvidos no esquema

Ahmed Hassan Saleh (“Mudi”), advogado, é acusado de oferecer R$ 3 milhões pela execução do delator Vinícius Gritzbach e de receber R$ 400 mil do PCC para influenciar eleições municipais em São Paulo. Em sua residência, foram apreendidos um cheque de R$ 55 milhões, sete veículos de luxo, três armas de fogo e aproximadamente R$ 25 mil e US$ 4,6 mil em dinheiro.

Robinson Granger de Moura (“Molly”) e Ademir Pereira de Andrade, empresários, são acusados de participar do esquema de lavagem de dinheiro da facção, que movimentou cerca de R$ 100 milhões desde 2018.

Desdobramentos

O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello determinou o bloqueio de R$ 30 milhões em bens dos investigados. Os acusados responderão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva e ocultação de capitais, com penas que podem chegar a 30 anos de reclusão.

A defesa do delegado Baena considerou a prisão “arbitrária” e afirmou que não houve oportunidade de contato com advogados, classificando a ação como “prisão midiática, sem contemporaneidade”.