União dos Palmares, Alagoas – 24 de novembro de 2024 – Um ônibus escolar terceirizado, transportando 45 passageiros, despencou por uma ribanceira de 400 metros na Serra da Barriga, resultando em 17 mortes e 28 feridos. O acidente ocorreu durante uma excursão do projeto “Pôr do Sol na Serra”, quando jovens e crianças se dirigiam a um evento cultural no Parque Memorial Quilombo dos Palmares.
A tragédia por falha mecânica reiterada do ônibus
O veículo apresentou falha mecânica por volta das 15h, no trecho mais íngreme do percurso. Testemunhas relatam que o ônibus começou a descer de ré pela ribanceira após o motorista perder o controle.
A ausência de cintos de segurança, uma irregularidade frequente em transportes escolares da região, agravou as consequências do acidente. Entre as vítimas fatais, estava uma gestante que chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
O ônibus estava com documentação irregular
A empresa terceirizada responsável pelo transporte, contratada pela Prefeitura de União dos Palmares, sob gestão do prefeito Areski Damara de Omena Freitas Junior (Kil de Freitas) do MDB, operava com documentação irregular e histórico de problemas mecânicos. O ônibus envolvido no acidente não passava por revisão completa há mais de 8 meses, contrariando a legislação que exige manutenção trimestral.
A Secretaria Municipal de Transportes, responsável pela fiscalização, ignorou denúncias anteriores sobre as condições precárias dos veículos utilizados em eventos culturais.
Operação de resgate
O socorro enfrentou sérias dificuldades devido à localização do acidente. A área de mata fechada e a falta de sinal de telefonia complicaram a comunicação entre as equipes. O Corpo de Bombeiros mobilizou três viaturas e um helicóptero para o resgate.
Os feridos foram encaminhados para diferentes unidades de saúde: o Hospital Regional da Mata recebeu os casos menos graves, enquanto os mais críticos foram transferidos para Maceió. O sistema hospitalar disponibilizou 21 leitos de UTI Pediátrica e 3 de UTI para adultos.
Investigação em curso
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades criminais do acidente. Além da empresa terceirizada, serão investigados os processos de licitação, fiscalização e autorização do transporte. O Ministério Público já solicitou a documentação completa do contrato de terceirização e dos laudos de vistoria dos últimos 12 meses.
A tragédia levanta questionamentos sobre a segurança do transporte escolar em áreas de difícil acesso e a necessidade de maior rigor na fiscalização de serviços terceirizados.