Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 2024 – Em um chocante episódio que expõe as graves deficiências do sistema de saúde brasileiro, José Augusto Mota da Silva, 32 anos, natural de Mogi Guaçu (SP), morreu sentado em uma cadeira enquanto aguardava atendimento na UPA da Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro, na noite de sexta-feira, 13 de dezembro de 2024.
O Drama do abandono
José Augusto chegou à unidade por volta das 20h30, lúcido e andando, mas queixando-se de fortes dores. Apesar dos gritos de dor, foi simplesmente classificado no protocolo de risco e deixado aguardando, sem receber a devida atenção médica. Minutos depois, estava morto.
Reação das testemunhas
“O homem chegou aqui gritando de dor, e só o atenderam depois que ele morreu. Isso é uma ruindade, uma ruindade, todos são culpados“, desabafou uma testemunha em vídeo que viralizou nas redes sociais. A indignação dos presentes foi registrada quando a equipe, tardiamente, chegou com uma maca para socorrer o paciente já sem vida.
Consequências imediatas
O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, classificou o caso como “chocante” e tomou medidas drásticas:
- Todos os profissionais que estavam de plantão serão demitidos
- Serão submetidos a sindicância
- Serão denunciados aos seus respectivos conselhos de classe
A Versão oficial vs. relatos de testemunhas
A Secretaria Municipal de Saúde apresentou uma versão que contrasta com os relatos das testemunhas. Segundo o órgão, o paciente foi classificado às 20h30 e, “minutos depois”, a equipe médica foi acionada quando ele estava desacordado.
José Augusto foi levado à Sala Vermelha, onde teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. Entretanto, testemunhas afirmam que José chegou “gritando de dor” e foi ignorado pela equipe médica até perder a consciência.
O questionamento
Em um país onde a Constituição garante que a saúde é direito de todos e dever do Estado, como podemos aceitar que um jovem de 32 anos morra sentado em uma cadeira de UPA, implorando por socorro? O caso de José Augusto não é apenas uma estatística – é o retrato cruel de um sistema que falha diariamente com aqueles que mais precisam de auxílio.
Desdobramentos
A coordenação da UPA abriu uma sindicância para investigar o caso, com análise das câmeras de segurança e registros nos prontuários. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para determinar a causa exata do óbito, e a família já anunciou que tomará medidas legais cabíveis.
A Polícia Civil, através da 41ª DP (Tanque), registrou o caso e iniciou as investigações para esclarecer as circunstâncias dessa morte que poderia – e deveria – ter sido evitada. Este trágico incidente levanta sérias questões sobre a qualidade do atendimento de emergência no Brasil e a necessidade urgente de reformas no sistema de saúde pública.
A morte de José Augusto Mota da Silva serve como um doloroso lembrete das consequências fatais que podem resultar da negligência médica e da falta de recursos adequados em unidades de saúde.