Em um caso que choca a sociedade paraibana, o médico pediatra Fernando Paredes Cunha Lima, de 81 anos, está foragido após ter sua prisão preventiva decretada pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba por acusações de estupro de vulnerável contra múltiplas vítimas.
O Crime e as Investigações
O pediatra, que pertence a uma das famílias mais tradicionais da Paraíba, é acusado de aproveitar-se de sua posição como médico para cometer os abusos durante consultas médicas. Segundo as investigações, ele atraía as vítimas para perto dele quando não havia testemunhas ou usava subterfúgios para disfarçar os atos mesmo com familiares presentes no ambiente.
O promotor Bruno Leonardo Lins afirma que as provas são contundentes, com todas as vítimas confirmando e reforçando em juízo os relatos feitos inicialmente na delegacia. O Ministério Público havia solicitado a prisão do médico três vezes anteriormente, sem sucesso.
Decisão Judicial e Medidas
A decisão unânime da Câmara Criminal também autorizou:
- Buscas e apreensão de aparelhos eletrônicos e fichas médicas
- Quebra de sigilo telefônico e de dados
- Perícia em mensagens e ligações relacionadas aos fatos investigados
Histórico Familiar e Denúncia Impactante
Um dos aspectos mais impactantes do caso é que entre as denunciantes está Gabriela Cunha Lima, sobrinha do acusado, que relatou ter sido abusada pelo tio quando tinha apenas 9 anos, em 1991. Fernando é irmão de Arthur Cunha Lima, conselheiro afastado do Tribunal de Contas da Paraíba após investigações da Operação Calvário.
Posicionamento da Defesa
Os advogados de Fernando Cunha Lima consideram a decisão “equivocada” e anunciaram que irão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. No entanto, o desembargador Ricardo Vital foi enfático ao afirmar que a idade avançada do acusado não diminui sua periculosidade, destacando que “todo e qualquer predador sexual necessita ser incontinenti parado”.